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Chuvas recuperam Cantareira após alerta de crise no abastecimento; veja o que esperar para 2027

05/11/2026

Chuvas recuperam Cantareira após alerta de crise no abastecimento; veja o que esperar para 2027

Cantareira tem segundo melhor nível para outubro

Depois de começar 2026 sob alerta para o risco de uma crise no abastecimento de água, o Sistema Cantareira apresentou uma recuperação expressiva nos últimos meses. O aumento das chuvas em setembro e outubro ajudou a reverter a tendência de queda dos reservatórios, que superaram 52% do volume útil no início de novembro.

A melhora contrasta com as projeções feitas no começo do ano. Em janeiro, uma análise do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), publicada pelo g1, apontava que a Grande São Paulo poderia enfrentar restrições no abastecimento ao longo de 2026.

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Na ocasião, o Cantareira estava com cerca de 19% do volume útil, o menor nível desde a crise hídrica de 2014.

Agora, especialistas avaliam que a continuidade das chuvas durante o verão pode elevar ainda mais o nível dos reservatórios e melhorar as perspectivas para 2027. A recuperação, porém, não significa que o risco de uma nova estiagem esteja completamente descartado.

💦 O Cantareira é composto por seis represas principais: Jaguari, Jacareí, Atibainha, Cachoeira, Paiva Castro e Águas Claras. Os três primeiros reservatórios ficam no Vale do Paraíba e na região bragantina.

A recuperação do Cantareira ganhou força no segundo semestre. Em setembro, o sistema registrou 283,5 milímetros de chuva, enquanto a média histórica para o mês era de 78,8 milímetros.

O volume foi mais de três vezes superior à média. Em outubro, o acumulado chegou a 210,4 milímetros até o dia 30.

Com isso, o volume útil do Cantareira passou de 32,99% em agosto para 41,1% no fim de setembro. Em 31 de outubro, alcançou 51,2%. No dia 4 de novembro, o professor de Hidrologia e Recursos Hídricos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Antônio Carlos Zuffo, citou o índice de 52,53%.

Para o meteorologista Guilherme Borges, da Climatempo, as chuvas acima da média em setembro e outubro foram favorecidas por condições meteorológicas que levaram as instabilidades a atingir com mais frequência a região Sudeste.

Segundo ele, a perspectiva inicial era de que os dois meses tivessem volumes abaixo da média. O comportamento do Oceano Atlântico contribuiu para o deslocamento das instabilidades em direção ao Sudeste, favorecendo a recuperação dos reservatórios.

Previsão indica continuidade das chuvas no verão

A expectativa é de que as chuvas continuem favorecendo o Cantareira nos próximos meses. Segundo Borges, as instabilidades devem permanecer mais presentes em São Paulo durante novembro e ao longo do verão, que normalmente é a estação mais chuvosa do ano.

O meteorologista avalia que, mesmo que os volumes fiquem um pouco abaixo da média durante o verão, o período ainda pode contribuir para que o sistema termine a estação com bons níveis de armazenamento.

Zuffo também tem uma perspectiva positiva. O professor acredita que o Cantareira pode ultrapassar 80% ou até 90% do volume útil até o fim do período chuvoso, em março. Segundo ele, se houver muita chuva em dezembro, o sistema pode até chegar a 100%, situação que exigiria a liberação de água dos reservatórios.

Represa do Sistema Cantareira no começo de janeiro de 2016

Reprodução TV Globo

Cantareira ainda está na faixa de atenção

Apesar da recuperação, o sistema ainda não voltou à faixa considerada normal de operação.

De acordo com Zuffo, o Cantareira permanece na Faixa 2 – Atenção, que compreende níveis entre 40% e 60% do volume útil. Para entrar na faixa normal, o reservatório precisa ultrapassar 60%.

O professor avalia que a crise hídrica terminou. “Acredito que a nossa crise hídrica tenha terminado”, afirmou.

No início do ano, a situação era diferente. A análise do Cemaden publicada pelo g1 apontava que, mesmo no cenário mais favorável de chuva considerado pelos pesquisadores, a região metropolitana de São Paulo poderia enfrentar restrições no abastecimento.

A preocupação estava relacionada à estiagem prolongada na bacia do Cantareira. Em 2025, foram registrados 943 milímetros de chuva durante o ano, quase 30% abaixo do esperado e o menor volume em dez anos, segundo os dados apresentados naquela reportagem.

Formado por cinco reservatórios interligados — Jaguari, Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro —, o Cantareira abastece quase 8 milhões de pessoas.

O que esperar para 2027?

A recuperação dos reservatórios melhora as perspectivas para o próximo ano, mas os especialistas fazem ressalvas sobre o risco de estiagem.

Borges explica que o volume acumulado até o fim do verão será importante para atravessar os meses seguintes. Outono e inverno são períodos naturalmente mais secos, quando a quantidade de chuva costuma diminuir.

Para ele, se o Cantareira chegar a março com mais de 80% do volume útil, será mais difícil que o sistema enfrente uma situação de estiagem nos meses seguintes. O meteorologista ressalta, porém, que não é possível descartar completamente esse risco em 2027.

Zuffo também condiciona uma perspectiva mais tranquila para o abastecimento à recuperação dos reservatórios. Na avaliação do professor, se o sistema ultrapassar 90% do volume útil, o próximo ano não deve apresentar problemas de abastecimento relacionados ao Cantareira.

A projeção depende, no entanto, da continuidade das chuvas e da evolução dos níveis até o fim da estação chuvosa.

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