Bom, agora nem o avaiano mais otimista acredita na permanência do Avaí na Série B do campeonato brasileiro. Se alguém tinha alguma esperança antes do jogo contra o Náutico, a atitude, ou a falta dela, demonstrada pelos jogadores no primeiro tempo, mostrou que o rebaixamento era apenas questão de tempo. Os jogadores já estavam pensando no ano que vem e loucos para irem para as suas casas.
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É claro que o Avaí não caiu em Recife. Essa queda vem sendo construída ao longo dos últimos anos. De protagonista e sempre candidato ao acesso na Série B, o Avaí passou a frequentar a parte de baixo da tabela de classificação, e lutar contra o rebaixamento virou a nova realidade do clube. Não costumo apontar apenas um “vilão” quando acontece um rebaixamento, assim como não existe somente um “herói” quando um título é conquistado. É muito fácil cair nessa tentação de simplificar derrotas e vitórias. Pode vender, dar cliques, mas não explica o resultado final.
E agora, José? O poema de Carlos Drummond de Andrade deixa a pergunta que todos os avaianos estão querendo fazer. Se na Série B as receitas já não conseguiam fazer frente às despesas, imaginem na Série C, que tem uma realidade financeira ainda mais complicada. O sonho de “vamos voltar no ano que vem”, pode ser algo bem distante. O Figueirense, para dar um exemplo muito próximo, está indo para a sua sétima participação seguida na Série C.
Bernardo Pessi, Presidente do Avaí, vai dar uma entrevista nesta terça-feira, e é importante que ele fale de futuro, e não do passado. Ele sabia da situação do clube quando assumiu, e não deve ter sido pego de surpresa. Ele tem que falar se a Kactus continua com seu interesse no clube, mesmo com o rebaixamento. A demora na assinatura do contrato gera uma dúvida legítima no torcedor avaiano. É importante dizer também como o Avaí vai pagar essas dívidas recentes com jogadores e funcionários.
Todos sabem o que aconteceu no Avaí nos últimos anos, mas o que interessa agora é o que será feito, e como o clube enfrentará a nova e dura realidade. O momento é difícil e triste. Olhar para trás é só para não repetir os inúmeros erros cometidos.



