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Igreja neogótica inglesa de quase 100 anos enfrenta abandono e corre risco de desabar em Gália

01/11/2026

Igreja neogótica inglesa de quase 100 anos enfrenta abandono e corre risco de desabar em Gália

Tombada em 2020, uma igreja neogótica inglesa com mais de 90 anos em Gália (SP) enfrenta abandono, vandalismo e risco de desabamento na zona rural.

Inaugurada em 1935, a capela teve as atividades suspensas em 2010. O município busca recursos para restauração, e a estrutura recebeu escoramento emergencial na cobertura em 2024.

O templo é a única edificação restante da fazenda cafeeira da Companhia Agrícola do Rio Tibiriçá, fundada em 1926 e que abrigou cerca de 2.000 moradores.

Uma igreja construída no estilo neogótico inglês, tradicional na Grã-Bretanha, resiste há mais de 90 anos na zona rural de Gália (SP).

Tombado pela prefeitura em 2020 como patrimônio histórico e cultural, o templo enfrenta abandono, vandalismo e a ação do tempo, sendo a única edificação que permanece de pé do auge da fazenda cafeeira da Companhia Agrícola do Rio Tibiriçá, popularmente conhecida como Companhia Inglesa.

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A Capela de São João foi inaugurada em 1935 no complexo da companhia, com a primeira missa celebrada pelo então arcebispo de São Paulo, Dom Duarte Leopoldo e Silva. O templo de alvenaria em tijolos aparentes conta com nave única terminada no espaço onde ficava o altar-mor, ladeado pela sacristia e o Santíssimo, além de ter abrigado batistério e coro na entrada.

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A comunidade não contava com um padre fixo, dependendo de visitas de sacerdotes da paróquia de Gália e de municípios vizinhos. O ponto alto do calendário religioso era a festa de São João, padroeiro da capela, celebrada com grande participação dos colonos, que também promoviam terços e encontros comunitários no local.

O estudante de relações internacionais João Paulo Piovezan, de 19 anos, morador de Gália que atuou voluntariamente no processo de tombamento do imóvel, explicou em entrevista ao g1 que a preservação do espaço era uma demanda antiga da população.

"Essa é uma pauta de muita gente, desde o poder público até os cidadãos de Gália, antigos moradores da cidade e pessoas da região. Hoje, quem mais levanta essa discussão é o pessoal que faz trilha de moto e de bicicleta, porque o trecho faz parte da rota deles. Então, o tombamento já era um sonho antigo para Gália", afirmou o jovem.

Fim das missas e desativação da fazenda

Segundo Piovezan, os fundadores britânicos venderam a fazenda na década de 1950. A partir desse momento, a propriedade passou por sucessivos proprietários e teve colônias gradualmente desativadas, até a celebração da última missa com moradores locais, em 1982.

Entre o fim dos anos 1990 e o início dos anos 2000, padres de Gália chegaram a retomar celebrações esporádicas com fiéis que se deslocavam cerca de 14 quilômetros até a zona rural. Em 2010, no entanto, as celebrações foram suspensas em definitivo.

Tombamento, abandono e risco de desabamento

Com o encerramento das atividades e a ausência de manutenção contínua, a estrutura entrou em processo acelerado de degradação. Mesmo com a declaração de utilidade pública para desapropriação e o tombamento em 2020, o município ainda busca linhas de financiamento e verbas para viabilizar o restauro completo, segundo João Paulo.

"A igreja era preservada pela população. O altar tinha toalha, imagens de santos e lugar específico para acender velas. Alguns bancos antigos que restavam ainda estavam em excelente estado. Nos últimos anos, porém, os bancos foram destruídos, o altar vandalizado e as paredes pichadas. Agora, o local aguarda recursos para que possa ser restaurado", pontuou Piovezan.

Com o desgaste estrutural, esquadrias e portas desabaram, deixando as laterais da nave abertas. O imóvel chegou a ser interditado devido ao risco de colapso do telhado.

Em 2024, intervenções emergenciais de escoramento foram realizadas na cobertura, já que a estrutura dependia de esteios improvisados de eucalipto.

"Foi feito o escoramento para que o teto não desabe de vez e a forma original seja preservada", explicou o estudante.

Apesar dos alertas e da interdição, a capela virou ponto de parada frequente de grupos de ciclistas, motociclistas e fotógrafos atraídos pela arquitetura europeia em meio à vegetação nativa.

Apogeu cafeeiro e a colônia inglesa

A Companhia Agrícola do Rio Tibiriçá foi estabelecida em 1926 por investidores britânicos de Liverpool, com o projeto de criar uma das maiores fazendas de café do país.

A partir de 1956, os proprietários originais deixaram o negócio e deram início a uma série de transações imobiliárias. As atividades agrícolas da fazenda cessaram na década de 1980.

Durante o apogeu da produção cafeeira, cerca de 2 mil pessoas residiam na colônia rural. A infraestrutura contava com moradias, escolas, praças de esportes, clube social e até uma sala de cinema e teatro, que recebia espetáculos da capital e exibia filmes simultaneamente às salas dos grandes centros.

Com o passar dos anos, casarões, armazéns, salas de aula e o cinema foram demolidos ou consumidos pela vegetação. A capela neogótica é a única construção do complexo que permanece em pé.

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