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'Menino do bolo': jovem do ES transforma doce em obras de arte e viraliza nas redes sociais

07/11/2026

'Menino do bolo': jovem do ES transforma doce em obras de arte e viraliza nas redes sociais

O confeiteiro Lúcio da Silva de Jesus, de 26 anos, viralizou nas redes sociais com bolos artísticos que alcançaram mais de 200 milhões de visualizações.

Natural de Alfredo Chaves, no Espírito Santo, ele começou a fazer bolos aos 11 anos e uniu a confeitaria ao seu antigo sonho de ser pintor.

Conhecido como "O Menino do Bolo", o jovem iniciou sua trajetória digital em 2019 e estourou ao esculpir o personagem Stitch.

Atualmente focado em vídeos e cursos on-line, Lúcio planeja expandir seus negócios, criar um ateliê e realizar oficinas presenciais pelo Brasil.

Lúcio da Silva de Jesus, de 26 anos, começou a fazer bolos quando ainda era criança na cozinha de casa, ao lado da família. Desde os 11 anos de idade, encontrou na confeitaria uma forma de fazer arte. Natural de Alfredo Chaves, na Região Serrana do Espírito Santo, ele ganhou milhões de seguidores e hoje viraliza na internet com criações que parecem pinturas e esculturas.

O jovem cresceu cercado por mulheres que faziam bolos. A mãe, as irmãs e a tia eram algumas das referências que ele tinha dentro de casa, e assim o sonho de trabalhar com a confeitaria surgiu.

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“O primeiro bolo que fiz ficou totalmente ruim. Minha avó até falou: 'meu Deus, meu filho, não fica com esse bolo, tenta depois outro'. Eu prometi para mim mesmo que nunca mais queria fazer bolo na vida, mas continuei observando minha mãe e minhas irmãs. Depois, tentei de novo e deu certo”, relembrou.

Lúcio é autodidata e aperfeiçoou o seu trabalho com o passar dos anos. Os bolos simples deram lugar a peças mais elaboradas, e o trabalho viralizou.

Atualmente, o jovem acumula cerca de dois milhões de seguidores nas redes sociais: um de seus vídeos, onde mostra a produção de uma cúpula de açúcar colocada sobre um bolo, ultrapassou 200 milhões de visualizações em apenas uma plataforma.

Da pintura à confeitaria artística

Lúcio contou que, desde pequeno, sonhava em ser pintor. "As professoras sempre perguntavam o que a gente queria ser quando crescêssemos e minha resposta nunca mudou. Sempre foi ser pintor", relembrou.

A arte, segundo ele, nunca deixou de fazer parte de seus interesses. Além da pintura, o jovem também gostava de música e escultura. Quando começou a se dedicar à confeitaria, percebeu que poderia unir essas referências ao trabalho com os doces. (veja mais abaixo uma galeria com outros bolos)

No início, Lúcio fazia bolos confeitados mais tradicionais. A curiosidade por novas técnicas, entretanto, fez com que procurasse maneiras diferentes de decorar as criações.

"Eu queria pintar telas, mas, com o passar do tempo, fui percebendo que era uma profissão distante para quem vivia no interior, em uma cidade pequena. Acabei encontrando na confeitaria uma forma de trabalhar com a arte”.

Durante boa parte da trajetória, Lúcio aprendeu por conta própria. Observava técnicas e testava os caminhos até conseguir chegar ao resultado que queria. Mais tarde, fez cursos voltados principalmente para massas e recheios, mas continuou desenvolvendo sozinho as técnicas de decoração para bolos mais elaborados.

Uma das criações que melhor representa a união entre arte e confeitaria, segundo ele, é um bolo que imita uma pintura de paisagem. A massa foi colocada em uma travessa posicionada sobre um cavalete, enquanto a decoração reproduz uma cena com rio e cisnes.

Para ele, ver a pintura ganhar forma dentro da confeitaria é uma maneira de realizar o sonho que tinha quando era criança. "De alguma forma, meu sonho [de ser pintor] se concretizou dentro da confeitaria”, disse.

O apelido que veio dos clientes

A relação de Lúcio com as redes sociais começou em 2019, quando o confeiteiro decidiu criar uma conta para publicar fotografias dos bolos que fazia. A ideia veio de uma sugestão da irmã, que percebeu o interesse pelo ramo nas redes.

Na época, as criações eram mais simples, e a maior dificuldade era a falta de recursos. O jovem ainda dividia o trabalho a confeitaria com outras atividades profissionais.

Por volta de 2021, Lúcio preparava encomendas à noite e nos fins de semana. A família havia se mudado para a região central de Alfredo Chaves, o que ajudou a aproximá-lo dos clientes. As encomendas para festas infantis eram frequentes, e o jovem começou a ouvir das mães que os filhos o reconheciam na rua como o rapaz responsável pelos bolos de aniversário.

O apelido acabou chamando a atenção do próprio confeiteiro. Ele gostou da simplicidade do nome e percebeu que as pessoas já o associavam àquilo que fazia. Assim nasceu a identidade que hoje acompanha seu trabalho nas redes sociais: O Menino do Bolo.

“Eu nem pensava em ser chamado de O Menino do Bolo. Foram os próprios clientes que começaram a me chamar assim. As mães das crianças para quem eu fazia bolos me encontravam na rua e diziam: 'olha lá, mãe, o menino que fez meu bolo!'. Achei o nome tão ingênuo e fácil de guardar que gostei”.

Bolo de personagem mudou o rumo do trabalho

A mudança para criações mais ousadas aconteceu quando Lúcio decidiu se arriscar na produção de um bolo esculpido do personagem Stitch, da Disney. Foi a primeira vez que utilizou pasta americana para fazer uma peça daquele tipo, e o resultado alcançou milhões de visualizações nas redes sociais.

“Até então, eu nunca tinha feito um bolo esculpido. Resolvi me arriscar no personagem Stitch, que é um dos meus personagens favoritos de animação. Era a primeira vez que usava pasta americana, então fui experimentando e procurando referências na internet. No fim, deu certo”, contou.

A repercussão mostrou que havia espaço para investir em criações cada vez mais diferentes. Aos poucos, Lúcio passou a direcionar o trabalho para os vídeos e para a experimentação de novas técnicas — e acabou iniciando sua carreira como influenciador.

O desafio de crescer sem perder a própria identidade

Segundo o confeiteiro, o sucesso também trouxe uma sensação inesperada: a de que algumas etapas da vida haviam passado rápido demais.

Lúcio relembrou que, quando chegou à marca de 100 mil seguidores, ainda enfrentava dificuldades técnicas na cozinha. Havia problemas com massas, recheios e bolos que desmoronavam, enquanto um público cada vez maior acompanhava e confiava em seu trabalho.

“Eu tinha bastante responsabilidade porque, para mim, 100 mil pessoas como seguidores era algo enorme”.

A experiência fez com que percebesse que o crescimento nas redes nem sempre acontece no mesmo ritmo do aprendizado profissional. Mesmo com a visibilidade, ele continuou aprimorando as técnicas e experimentando novas possibilidades.

A rotina de trabalho também mudou. Hoje, Lúcio não consegue mais atender encomendas e concentra o tempo na produção de bolos para os vídeos e na gravação de cursos on-line destinados a outros confeiteiros.

Desafiado por Ana Maria Braga

Um dos desejos do confeiteiro é conhecer a Ana Maria Braga, apresentadora do Mais Você, da TV Globo. No início deste ano, Lúcio foi desafiado pela cozinheira a preparar um bolo red velvet e gravou um vídeo com o resultado. Agora, ele espera que a oportunidade de conhecê-la pessoalmente esteja cada vez mais próxima.

Apesar das conquistas, Lúcio disse viver uma fase de decisões. O confeiteiro avalia possibilidades para ampliar o trabalho, como investir em um ateliê, desenvolver produtos e, futuramente, deixar Alfredo Chaves para explorar novas oportunidades.

Entre os planos está também a realização de cursos presenciais em diferentes regiões do Brasil, para compartilhar as técnicas que desenvolveu ao longo da trajetória.

Se pudesse voltar à infância e conversar com o menino que começou a fazer bolos aos 11 anos, a mensagem seria de incentivo para continuar tentando. "Eu diria: trabalhe e acredite, porque vai acontecer. Só depende do seu esforço", afirmou.

*Este conteúdo foi produzido por Analu Fagundes, residente do 29º Curso de Residência em Jornalismo da Rede Gazeta, sob orientação do editor Vitor Ferri.

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